realidade aumentada tem um sem-número de aplicações possíveis. Um deles – pouco explorado até o momento – interfere nas formas de aprendizagem e no relacionamento do cidadão com o espaço urbano.

Tecnologia pode auxiliar turistas nas cidades

É justamente o uso dessa tecnologia nesses dois campos que atrai atenção do sociólogo e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo Sérgio Amadeu da Silveira.

O ponto de partida dos estudos de Silveira – pesquisador do digital e ex-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) – é de que a realidade aumentada enriquece os processos de aprendizagem não-tradicionais.

Monumentos, esquinas, postes e casas são passíveis de receber marcadores digitais equipados com animações, textos, links – e, logo mais, até sons – que podem ser interpretados por celulares e smartphones com realidade aumentada.

Assim, é possível combinar ações no espaço urbano e no ciberespaço que estimulem a criatividade e a pesquisa nas cidades em campos do conhecimento como geografia, história, matemática, biologia, antropologia e filosofia, entre outras, diz Silveira.

Placas de rua
Para dar um exemplo, um marcador numa placa da rua Teodoro Sampaio, no bairro paulistano de Pinheiros, teria explicações, que a pessoa acessaria de seu celular, por meio da realidade aumentada, mostrando que Teodoro Sampaio foi um engenheiro negro muito importante nascido no século XIX, diz, referindo-se a uma tradicional rua no bairro paulistano de Pinheiros.

Esse exemplo é apenas a ponta do iceberg do que a RA é capaz de fazer no campo educacional. A inspiração para as análises de Silveira vem da Holanda, de um projeto desenvolvido pela Escola Montessori, em 2005, que transformou a capital daquele país, Amsterdam, em um imenso tabuleiro do Frequency 1550, um jogo educativo que usa o celular como plataforma. Ele foi desenvolvido para estudantes de 12 a 14 anos entenderem como era a Amsterdam do ano 1550.

Enquanto um grupo de alunos ia às ruas, com celulares de terceira geração dotados de GPS, outro núcleo ficava na escola em computadores conectados à internet. As turmas precisavam de colaboração para vencer o jogo, com testes a respeito da história da cidade na era medieval.

Os alunos que estavam na escola podiam rastrear a posição de seus colegas nas ruas por meio de um mapa na cidade exibido na tela dos computadores ­ também era possível a comunicação por rádio.

Real e virtual
Embora não tenha utilizado realidade aumentada, o projeto da escola holandesa indica o amplo potencial para ações que mesclem o ambiente real e o virtual, avalia Silveira. É possível desenvolver jogos educativos com realidade aumentada para ensinar geografia e história, entre outras disciplinas, afirma.

O modelo tradicional de educação segue o estilo broadcast (unidirecional e não-interativo), enquanto o uso da realidade aumentada representa um novo paradigma para a educação. Ela torna instigante o aprendizado e permite que o conhecimento seja organizado de uma nova maneira, completa.

Cidades aumentadas
Outra possibilidade concreta de utilização dessa tecnologia diz respeito ao poder público. As prefeituras – ou secretarias de Estado e ministérios – poderiam comandar um amplo projeto para ³marcar² as cidades brasileiras com códigos de realidade aumentada e explorar esse recurso na área de turismo.

A ideia é que pontos turísticos ou de serviços, como restaurantes, estações de metrô e pontos de ônibus, entre outros, contenham informações úteis para os turistas estrangeiros ou de diferentes localidades do próprio Brasil.

Trata-se de algo possível para o País, do ponto de vista tecnológico, afirma Silveira. A grande questão seria definir o processo para desenvolver os marcadores digitais, o que, diz o especialista, poderia ser feito por meio de colaboração na rede e também por meio de editais públicos.

Minha proposta é inserir a lógica wiki e colaborativa para levar a realidade aumentada ao espaço urbano. A diferença em relação à Wikipédia, é que a enciclopédia está no ciberespaço, enquanto a RA extrapola o virtual. É o diálogo entre a cidade e o ciberespaço², afirma Sérgio Amadeu.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/blog/navedigital/2010/05/26/realidade-aumentada-pode-transformar-a-educacao-e-impulsionar-o-turismo/