Apesar do setor de Business Intelligence(BI, em inglês) ser um dos mais procurados no mundo do TI corporativo, professores de faculdades em todo o mundo enfrentam uma série de desafios no treinamento da nova geração de profissionais de BI, de acordo com um novo estudo.

A autora da pesquisa, Barbara Wixom, professora associada da Universidade de Virginia, recebeu respostas de 85 instituições internacionais. Wixom também é a diretora co-executiva do Teradata University Network, um portal de aprendizado patrocinado pela Teradata, que conta com participação de fabricantes como a Microstrategy.

O professor da Universidade do Estado de Arizona Mike Goul também participou do estudo. Segundo ele, existem problemas para encontrar dados de situações reais e não apenas teorias, para se certificar que os estudantes não “brinquem com problemas de mentira para entender que as coisas são complicadas”.

Além disso, os casos de estudo de BI geralmente oferecem uma boa visão geral dos objetivos do negócio, mas não trazem informações técnicas suficientes, já que as companhias preferem manter esses dados em segredo, afirma Goul.

Muitos estudantes de hoje evitam estudar ciências da computação porque “acham que é algo que será terceirizado”, completa Goul. “Uma das coisas interessantse de BI é que é fácil explicar para pais e estudantes que essa é uma habilidade que poderia ser classificada como commodity”.

Grandes tendências como a reforma de saúde nos Estados Unidos vão gerar um grande movimento em torno das contratações relacionadas à BI, afirma Goul. “O grande desafio é passar essa mensagem à frente”.

Enquanto algumas tarefas ligadas à Business Intelligence – como desenvolvimento de relatórios básicos – podem ser vulneráveis a offshoring, este não é o caso para a maior parte das habilidades avançadas, bem como para áreas emergentes, observa Goul. “Parte do trabalho que não enfrenta perigo de ser terceirizado está ligada a pessoas que são analistas de negócios”, acrescenta o professor do Terry College of Business, da Universidade da Geórgia, Hugh Watson.

Em oposição a Goul, Watson expressou pouca preocupação a respeito da oferta de software e material de treinamento. “Existem muitas fontes boas disponíveis”, afirma. Fontes como o portal da universidade Teradata e de organizações como o Instituto The Data Warehousing têm boas informações.

“Fontes não são realmente um problema. A maior dificuldade para escolas de negócios são que as habilidades que estamos oferecendo aos nossos alunos não estão onde têm de estar. Esses estudantes são familiares com Microsoft Word ou Excel e só”, afirma. Estudantes de finanças ou marketing deveriam ser encorajados a mexer em sistemas de informação, reforça Watson.

Ele cita um estudo de caso envolvendo um banco que optou pelo BI para melhorar o relacionamento com clientes. “O executivo-chave do banco disse que, antes de adotar o BI, a instituição tinha 12 analistas de marketing. Depois do projeto, ainda existem 12 posições, mas nenhuma das pessoas estava no mesmo emprego. Eles não podiam fazer as análises ou não queriam”.

Mas o aspecto fundamental é que os estudantes têm de desenvolver habilidades técnicas e de negócios, já que muitas empresas estão trabalhando para elevar os esforços de BI – antes no nível departamental – para toda a empresa. “Existem inúmeras questões organizacionais e de gerenciamento. Precisamos transformar alunos para que eles estejam prontos para ajudar com isso”.

Fonte: http://computerworld.uol.com.br/negocios/2010/03/23/professores-enfrentam-problemas-para-ensinar-bi-mostra-estudo/