A ideia básica por trás da HTML 5, a mais recente versão proposta para a linguagem fundadora da web, é tornar todos os recursos, não apenas textos e links, disponíveis de forma ampla e uniforme por todas as plataformas. Bem, essa é a teoria. Na prática, as coisas não serão muito diferentes da web de hoje, que se apoia em formatos de mídia e métodos proprietários.

Nesses 20 anos desde que a HTML surgiu, empresas – como a Adobe e seu Flash, a Microsoft com o Silverlight e a Apple com o QuickTime – acrescentaram seus próprios formatos proprietários de mídia à web.

Para completar, outras companhias – como Google com o Gears e a Oracle/Sun com o JavaFX – criaram tecnologias para a web que tornaram possível criar aplicações offline e que exploravam o ambiente do usuário. Não há nada de errado com isso, mas esses formatos proprietários e essas plataformas de aplicação comprometeram a ideia de uso universal da web.

O plano do Consórcio World Wide Web (W3C) com o HTML5 era responder a essas abordagens proprietárias. Este padrão aberto, que ainda tem de ser totalmente aprovado, eleva a HTML de simples descritora de elementos básicos de texto a uma forma que inclui especificações para apresentação de animações, áudio, equações matemáticas, fontes e vídeo. Em resumo, a HTML5 tem a missão de incorporar todas as funcionalidades que os usuários da web esperam hoje dos add-ons proprietários.

Mudança de rumo
Como disse Ian Hickson, um dos editores do padrão HTML5, “um dos objetivos da HTML5 é afastar a web de tecnologias proprietárias como Flash, Silverlight e JavaFX”. Ao mesmo tempo, de acordo com Sir Tim Berners-Lee, o fundador da web e diretor do W3C, “sim, a HTML5 ainda é uma linguagem de definição de páginas web, mas a grande mudança que está havendo aqui – e, você poderia dizer, a que está realmente levando aos recursos mais sofisticados – é a mudança da web rumo a uma plataforma de computação baseada na parte cliente”.

Para cada um dos múltiplos elementos que estão sendo incorporados na HTML5, explica Berners-Lee, “nós já tínhamos as peças”, e ao juntá-las com a HTML5 “multiplicamos o poder de cada uma delas”.

Parece bom, não é? Mas a HTML5 está anos distante de se tornar um padrão real. De fato, Dave Story, vice-presidente de ferramentas para desenvolvedor da Adobe, destacou que “a linha do tempo da HTML5 estabelece que ela está há pelo menos uma década da finalização do HTML5/CSS (Cascading Style Sheets) 3, e ainda teremos de ver que parte dele será implementada de forma consistente pelos navegadores. Enquanto isso, a plataforma Flash vai continuar a oferecer uma plataforma consistente e abrangente para permitir experiências de uso mais ricas e envolventes”.

E mesmo quando a HTML 5 estiver pronta, o que vai acontecer? Pegue como exemplo a recém-aprovada tag de vídeo neutra em relação a codecs. Em tese, isso deveria facilitar a inserção de conteúdo multimídia em páginas web. Na prática, não é tão fácil. Isso porque a HTML5 não especifica que codec deveria ser suportado pela tag de vídeo.

Bem, YouTube e Vimeo já suportam a tag de vídeo da HTML5 com o codec H.264. Mas, como o H.264 não é um codec proprietário da mesma forma que é o Adobe Flash, ele não vem com restrições de patentes.

O mesmo é verdade com outros codecs em potencial. Mesmo o preferido do código aberto Ogg Theora não tem sua situação completamente clara em relação a patentes. Em qualquer caso, o problema de um padrão de formato de vídeo universal para a web está simplesmente sendo empurrado da HTML para onde ele sempre esteve: os navegadores web. Em outras palavras, estamos empacados com o mesmo e velho problema quando o tema é vídeo na internet.

Aplicações offline
Não é apenas vídeo. A HTML5 vai incluir diversos recursos que contemplam a construção de aplicações web que trabalham offline. Elas incluem suporte para um banco de dados SQL do lado cliente e aplicações offline e cache de dados. De novo, parece ótimo. Mas enquanto o Google, por exemplo, está migrando sua funcionalidade Google Gears de offline para a abordagem da HTML5, ele não está parando por aí.

Em vez disso, como um antigo defensor da web aberta, Dion Almaer, disse, “o Gears está sempre a caminho de se tornar um superconjunto da HTML5”. E, é claro, sendo um superconjunto, isso significa que mesmo que um navegador suporte tudo da HTML5, ele poderá não funcionar com uma aplicação offline feita com Google Gears.

Pegou a ideia? Claro, todo mundo é a favor da HTML5, mas o diabo está nos detalhes. Para o futuro próximo, a web vai permanecer do jeito que é agora: uma mistura de padrões abertos com sua parte mais interessante trancada por trás de métodos ou formatos proprietários ou exclusivos.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/03/30/html-5-sera-melhor-conter-a-expectativa/