Alguns meses atrás, recebi um e-mail de Matthew Cornell, autor e especialista em produtividade o qual já entrevistei em diversas ocasiões, contando que havia decidido largar o Twitter. “Largar o Twitter!?”, pensei. Eu uso o Twitter para manter contato com fontes, divulgar meus artigos e acompanhar os últimos debates na indústria de mídia social. Nem sonharia em abandonar o microblog agora.

Mas o fato é que, apesar de o site já ter ultrapassado a marca de 10 bilhões de tweets, 90% deles são escritos por apenas 10% dos usuários. Isso nos deixa com milhões de tuiteiros desengajados.

E por que então esses usuários não foram fisgados pelo Twitter, enquanto os outros 10% já não vivem sem ele?

Meu colega C.G. Lynch, em seu blog, afirmou que talvez “os fãs hardcore tenham, ironicamente, assustados os novatos” por seu uso exagerado de hashtags, “piadas internas sem graça” e “mensagens diretas com cara de spam”, entre outras ações.

E, apesar de isso até poder ser válido em relação a alguns tuiteiros iniciantes, Cornell sugeriu outra possibilidade: a de que muitos usuários deixaram o Twitter porque eles entraram no microblog sem ter uma ideia clara do que queriam fazer com ele.

Desestruturado
“Fora a questão da limitação do tamanho da mensagem em 140 caracteres, o Twitter é totalmente desestruturado. Você pode usá-lo para quase tudo: obter informações, manter contato com outras pessoas, dividir seus pensamentos”, disse Cornell. “Mas essa flexibilidade tem um preço: você tem que decidir como vai usá-lo, caso contrário ele lhe será inútil.”

Quando Cornell entrou no Twitter, ele não tinha um objetivo claro para o serviço. Ele pensou talvez que fosse usá-lo para divulgar coisas divertidas e quem sabe estabelecer contatos que poderiam evoluir para oportunidades de negócios.

Mas levou dois anos para que ele concluísse que o serviço apenas consumia seu tempo – ele foi sugado para dentro dele e, só no fim, constatou que o retorno sobre o investimento (ROI) oferecido pelo Twitter era insuficiente.

Com a lição que tirou dessa experiência, Cornell diz hoje que faria tudo diferente, e recomenda seguir três passos para decidir se o Twitter – ou qualquer outro site de networking – é útil e vale o tempo que se investe nele:

Passo 1
Determine, com detalhes, o que você quer obter do site.

Passo 2
Defina um intervalo de tempo durante o qual você irá experimentar o site e desenvolver um método claro de medir seu progresso. Por exemplo, Cornell diz que ele tentaria acompanhar quantas pessoas entraram em contato com ele via @reply no período de um mês.

Passo 3
Avalie seu sucesso e determine se o tempo que você dedicou ao site vale o retorno que obteve.

Será que o Twitter recompensa o tempo que você tem dedicado a ele? Você já desistiu de alguma rede social? Como você avalia seu ROI?

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/03/08/3-passos-para-descobrir-se-o-twitter-funciona-para-voce/