Há muito tempo que não se via um trimestre assim no mercado mundial de telemóveis. A Apple bateu o recorde de vendas do iPhone, a LG teve prejuízos, a quota da Nokia caiu para mínimos e a Research in Motion (RIM), fabricante do BlackBerry, deu um salto de 40%.

O mercado que emerge da recessão é muito diferente do que havia antes. Agora, o crescimento é liderado pelos smartphones e os fabricantes tradicionais de telemóveis são cada vez mais pressionados pelos outsiders. Resultado: mais concorrência, mais inovação e preços mais baixos até nos smartphones de gama alta.

Foram comprados 317,5 milhões de equipamentos entre Abril e Junho, um crescimento de 14,5% segundo a consultora IDC. Esta subida não se deveu nem aos telemóveis de marca branca a 50 euros ou aos Nokia mais básicos; foi a loucura pelos smartphones que empurrou o mercado para fora da crise. Apple, Research in Motion e HTC foram as marcas que mais beneficiaram desta tendência. Tradução: as vendas e os lucros dispararam em flecha no segundo trimestre.

“A categoria dos smartphones foi um contributo directo para esta subida”, confirma o analista da IDC, Ramon Llamas, sublinhando que as marcas “com enfoque neste nicho”, como a RIM, Apple e HTC, tiveram a melhor performance do trimestre. “O facto de este crescimento mundial ter sido conduzido principalmente por fabricantes fora do top 5 é muito relevante”, indica ainda.

O que está em causa é toda a estratégia das marcas tradicionais. Cada vez é mais difícil manter ou aumentar os lucros com base no número de unidades vendidas. A comparação entre os resultados da Nokia e da Apple não deixa dúvidas: enquanto a finlandesa vendeu 111,1 milhões de equipamentos e facturou 10 mil milhões de euros, a Apple vendeu apenas 8,4 milhões de iPhones e facturou 4,07 mil milhões de euros. Praticamente metade do dinheiro com menos de um décimo das vendas (embora se trate de um número recorde de iPhones e um aumento de 74% na facturação com este aparelho face a 2009). Além disso, os lucros da Nokia caíram 40% e a quota de mercado derrapou para os 35% (há dois anos andava nos 50%). O motivo, segundo os analistas, é a incapacidade que a empresa demonstra em apresentar um produto à altura do iPhone, do BlackBerry e dos novos modelos baseados no sistema operativo Android. De facto, a aposta da HTC neste sistema rendeu-lhe uma subida de 33% nos lucros para 206 milhões de euros, com 5,45 milhões de telemóveis vendidos.

O sucesso dos Motorola Droid rendeu à empresa uma recuperação acima do esperado, reduzindo os prejuízos em 100 milhões de euros para 84 milhões. O caso da LG foi o oposto: a fabricante passou de um lucro de 402 milhões para um prejuízo de 78 milhões de euros, isto apesar de até ter superado a barreira dos 30 milhões de telemóveis vendidos. O motivo? Grandes despesas em investigação e menos margens num portfólio que a IDC chama de “envelhecido”.

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/72212-vendem-se-cada-vez-mais-blackberries-e-iphones-e-menos-telemoveis-tradicionais