Kosuke Tsuneoka, um jornalista independente japonês, foi sequestrado por uma milícia enquanto trabalhava em uma reportagem no Afeganistão. Fingindo ensinar um dos sequestradores a acessar a internet, Tsuneoka enviou mensagens pelo seu perfil do Twitter informando sua localização. Ele foi libertado nesta terça-feira.

Um soldado raso, que participava do sequestro, foi mostrar sua nova aquisição tecnológica a Tsuneoka: um celular Nokia N70. Como não sabia usar o telefone, tampouco a internet, ele pediu para que o jornalista lhe mostrasse como fazer.

Tsuneoka telefonou para a central de suporte da operadora, requisitando o serviço de internet, que foi ativado em alguns minutos. Em seguida, o jornalista ensinou o sequestrador a ler notícias da agência Al-Jazeera.

Em uma jogada que faria personagens como Pica-Pau e Pernalonga morrerem de inveja, Tsuneoka propôs, de forma quase cômica, acessar o Twitter em busca de outros jornalistas que pudessem ser capturados. E os sequestradores toparam.

Acessando a interface web de seu perfil no Twitter (twitter.com/shamilsh), o profissional enviou dois tweets em inglês. No primeiro, afirma que ainda está preso, mas vivo. No segundo ele informa sua localização, na prisão do comandante Lativ. O sistema de geolocalização do celular encarregou-se de dar as coordenadas exatas do local.

Coincidentemente, o japonês foi solto no dia seguinte, mas sua libertação parece não ter relação alguma com a publicação no microblog. De acordo com a agência de notícias Associated Press, o jornalista aparentemente foi libertado por ser muçulmano, convertido em 2000.

Segundo mensagens em seu Twitter posteriores à sua libertação, Tsuneoka foi sequestrado por uma milícia local sem relação com o Talibã, embora se fizesse passar por um grupo pertencente à organização. Ele era um dos cinco jornalistas estrangeiros mantidos reféns no Afeganistão nos últimos seis meses por diferentes milícias. Ainda existem dois franceses, cuja libertação está sendo negociada.

Mas a experiência revela dois fatos inegáveis: que Tsuneoka é um ótimo engenheiro social e que os sequestradores são, de forma bastante cartunesca, completamente atrapalhados.

Esta foi a segunda vez que Tsuneoka foi capturado enquanto trabalhava. A primeira aconteceu na Geórgia, em 2001. Segundo o site Mashable, o jornalista foi mantido em cativeiro no Afeganistão de abril até setembro daquele ano.