O Brasil foi escolhido pela IBM para a fabricação local dos primeiros modelos de servidores equipados com processador Power 7, anunciado mundialmente nesta segunda-feira (8/02). A nova família está sendo lançada em Nova York (EUA) e será apresentada quase que simultaneamente para clientes da empresa no País nesta terça-feira (9/02) em São Paulo.

Os servidores com Power 7 começaram a ser montados no segundo trimestre de 2010 na planta de Sorocaba (SP), onde já são fabricados outros computadores da marca. Inicialmente, os produtos serão destinados ao mercado doméstico, mas a IBM já planeja exportar a linha para outros países da América Latina.

Com a produção local, o executivo responsável pela linha Power, afirma que a IBM encurtará o tempo de entrega das máquinas. As importadas têm prazo de entrega de 40 dias e as nacionais chegarão aos clientes em até 20 dias. Outra vantagem é a redução de preços dos equipamentos por causa dos incentivos do Processo Produtivo Básico (PPB). Além do Brasil, a IBM vai produzir a nova linha em plantas de países da Ásia, Europa e Estados Unidos.

Além de Nova York e São Paulo, a IBM elegeu outras duas cidades para lançar a tecnologia: Pequim e Londres. Porém, nessas duas últimas, a apresentação está prevista entre o fim de fevereiro e o início de março. O Brasil está saindo junto com os Estados Unidos nesse anúncio por ser um dos mercados emergentes que mais crescem dentro da companhia.

O executivo responsável pela área de Power Systems da IBM Brasil, Maurício Conceição, afirma que a companhia está apostando no mercado local devido a seus resultados e situação econômica favorável. Além do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), ele destaca que o fato de o Brasil ser sede das próximas Olimpíada e Copa do Mundo contribuirá para o aumento das vendas de servidores, já que serão necessários investimentos pesados em infraestrutura de TI.

A IBM Brasil quer estar preparada para atender a essa demanda e recebeu sinal verde da matriz para a fabricação local da nova linha de máquinas com Power 7. Os equipamentos serão produzidas pela Flextronics, parceira internacional da Big Blue para manufatura.

Nova tecnologia

Os processadores Power 7 chegam para substituir a linha Power 6, que está no mercado desde 2006. Os chips vão equipar quatro modelos de servidores – Power 780, 770, 755 e 750 Express. Mauricio Conceição destaca que os equipamentos são os primeiros da IBM baseados no conceito “Smart Planet”, que vem sendo divulgado desde o ano passado pela companhia para criação de um planeta inteligente. A empresa defende que que cada vez mais o mundo precisará de sistemas conectados de   alta performance e escalabilidade para reduzir custos e informatizar serviços.

A arquitetura Power 7 com capacidade para 64 processadores é, segundo a IBM, quatro vezes mais rápida que a 6. Em ambiente de virtualização suporta até 1.024 servidores, permitindo que uma máquina de maior porte realize o trabalho de sistemas menores, aumentando o desempenho dos equipamentos virtuais. A versão anterior do processador suportava no máximo 260 servidores.

Com essa capacidade, Maurício Conceição diz que as empresas estarão mais preparadas para atender rapidamente os picos de demanda dos seus negócios, configurando o servidor de acordo com seu volume de processamento.

A linha Power 7 roda três sistemas operacionais: AIX, IBM i e Linux. A tecnologia vai concorrer com os servidores Intel, da HP e Unix, da Sun. A IBM pretende competir principalmente com as máquinas Exadata, com platadorma Sun que a Oracle está colocando no mercado. Segundo o executivo da IBM, a arquitetura é uma grande aposta da Big Blue para aumentar a penetração da empresa em ambiente Linux, que hoje chega apenas a 5%.

Os usuários que estão com máquinas Power 6 vão poder fazer up grade para Power 7, comprando apenas um bloco de sistema, podendo aproveitar os demais componentes, segundo o executivo da IBM. Os equipamentos são direcionados para grandes e médias empresas. O preço dos servidores com o novo chip varia de 12 mil reais (2 processadores) até 7 milhões de reais (64 processadores).

Como a arquitetura Power está sendo disseminada no segmento de consumo, embutida nos chips cell presentes em consoles de games, em carros, geladeiras etc, a IBM acredita que será possível reduzir os custos dos processadores que equipam as máquinas corporativas. Isso em razão da produção em maior escala.

http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2010/02/05/ibm-fabricara-servidores-com-chip-power-7-no-brasil/