A Foxconn, que produz os iPhones da Apple e computadores da Dell, pretende assim aumentar a sua força de trabalho na China para entre 1,2 e 1,3 milhões de trabalhadores, depois de ter anunciado uma aumento de 50% das receitas, na primeira metade do ano.

As notícias recentes de suicídios entre os trabalhadores da empresa levou, igualmente, a empresa a anunciar medidas de combate a esse problema. Recorde-se que, em Junho passado, a empresa anunciou um aumento de 100% dos salários base dos trabalhadores da fábrica de Shenzen que, até aí rondava os 900 yuan (107 euros) por mês.

Para além dos aumentos salariais, Louis Woo, assistente do CEO da empresa, anunciou hoje que, desde Junho, foram contratados monges e conselheiros para aconselharem os trabalhadores e prevenirem que novos casos de suicídio ocorram.

A localização da fábrica de Shenzen é, de resto apontada como uma das causas para os suicídios. A empresa anunciou a construção de novas fábricas nas províncias de Henan e de Sichuan, alegando que isso é “o que a nova geração de trabalhadores quer”. O plano é que o grosso dos trabalhadores de Shenzen sejam transferidos para as novas unidades, nos próximos cinco anos.

“Se o círculo de família e amigos estiver mais perto, então será muito mais fácil para os trabalhadores ultrapassarem eventuais dificuldades”, explicou Woo.

Esta medida poderá, no entanto, levantar problemas adicionais à empresa. “[A medida] poderá fazer surgir problemas de gestão uma vez que os trabalhadores passarão a estar mais dispersos”, adianta Vincent Chen, da Yuanta Securities, de Hong Kong. “É mais fácil gerir trabalhadores quando eles estão todos no mesmo sítio”, conclui.

A Foxconn anunciou igualmente que tem mantido negociações com os sindicatos que representam os trabalhadores da empresa e que, na sequência das mesmas, hoje, mais de 100.000 trabalhadores assinaram um documento de compromisso cujo título é: “Valorize a sua vida, cuide da sua família”.

Na sequência das reuniões com os sindicatos, Louis Woo manifestou o desejo de que “os trabalhadores expressem as suas preocupações pelos canais apropriados”. Chen Peng, presidente do sindicato dos trabalhadores fez questão de lembrar aos trabalhadores que “o acto do suicídio é um acto cobarde”.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=439741