As empresas ainda estão tentando descobrir qual o melhor caminho para lidar com as redes sociais. O impulso de grande parte das organizações é o de proibir o acesso, por conta de problemas relacionados à segurança da informação e à produtividade. Por outro lado, algumas poucas companhias acreditam que os sites de relacionamento representam uma nova ferramenta de negócios e incorporaram as ferramentas ao dia-a-dia de seus profissionais.

Nesse contexto, os gestores de tecnologia e segurança da informação são colocados em uma posição bem delicada, já que são pressionados por CEOs, CFOs e até gerentes das demais áreas de negócios, a encontrar a fórmula mágica para que o acesso às redes sociais seja feito de modo seguro e não crie riscos para o negócio.

Mas quais os verdadeiros desafios desses profissionais? Para a professora do departamento de ciências da informação e computação da Universidade da Califórnia, Gillian Hayes, o modelo de trabalho colaborativo  foi estimulado pela entrada da Geração Y – profissionais nascidos entre o final dos anos 70 e início dos anos 90 – no mercado de trabalho.

“A insistente orientação sobre as habilidades necessárias no século XXI e a demanda por profissionais que resolvam problemas de forma criativa induziu as pessoas a buscar novas formas de trabalho, as quais foram encontradas na internet, em meio a bits e bytes”, explica a executiva.

O grande problema, no entanto, é que junto com novas ferramentas de trabalho, as redes sociais trouxeram um conteúdo nem sempre relevante para as organizações e que afeta a produtividade dos profissionais. Ao mesmo tempo, esses ambientes favorecem o trabalho de hackers. Isso porque a maioria das pessoas que se sente confortável ao acessar esses sites e fica vulnerável aos criminosos virtuais, os quais utilizam estratégias de engenharia social para atacar as pessoas.

Os criminosos criam perfis nos sites e pedem para ser adicionados como conhecidos dos usuários. Mesmo sem saber quem é o solicitante, a maioria das pessoas aceita e, com isso, abrem espaço para que os hackers consigam invadir as redes corporativas.

Além disso, o CIO da rede hospitalar norte-americana Health First, Frank Wazmer, destaca que a ameaça à imagem das companhias é latente quando seus funcionários fazem parte de redes sociais. “Esses sites tornam-se plataforma para que eles possam fazer reclamações, comentários impertinentes ou até divulgar dados confidenciais de forma massiva”, relata o executivo.

A única solução, de acordo com Wazmer, é a conscientização dos usuários e a definição de regras que devem ser aceitas por todos que fazem parte da empresa. “É o único caminho eficiente que eu conheço, já que nenhuma ferramenta até agora consegue deter os criminosos virtuais”, conclui.

Se as redes sociais escondem armadilhas, por outro lado, trazem diversos benefícios às organizações. Existe uma série de tarefas que podem ser realizadas de modo mais ágil com a ajuda desses ambientes. “Isso sem contar o acesso imediato que os usuários têm a informações relevantes por meio do Twitter”, exemplifica Gillian.

Diante disso, algumas empresas até liberam acesso irrestrito a funcionários das áreas de vendas e marketing, por exemplo, sob o julgamento de que esses profissionais são os que mais precisam manter comunicação com o ‘mundo exterior’ enquanto trabalham. Mas os gestores de TI se equivocam ao imaginar que o resto da empresa não encontrar formas de burlar a segurança e acessar as redes sociais.

“Passamos anos sendo instruídos para bloquear tudo”, afirma Wazmer, que complementa: “Agora, antes de liberar gradualmente as redes, é preciso ter certeza de que todo o board está ciente dos ricos implícitos nessa iniciativa”.

Fonte: http://computerworld.uol.com.br/gestao/2010/03/04/falhas-de-seguranca-em-redes-sociais-geram-risco-para-o-negocio/