Mineirão (foto) e Maracanã já estão em reforma para se adequarem às exigências da Fifa

Nenhuma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 estão preparadas tecnologicamente para receber jornalistas, turistas e atender a sociedade durante o evento. A afirmação foi feita nesta terça-feira (24) pelo diretor-geral do Projeto Copa 2014, Marcelo Costa. Segundo ele, todos os projetos dos estádios apresentam melhorias na infraestrutura tecnológica, mas ainda são deficientes, uma vez que não vislumbram os avanços que estarão presentes daqui a quatro anos.

O projeto Copa-2014 está levando para as cidades-sede palestrantes para apresentarem a situação atual do Brasil em relação ao assunto e o que deve ser feito para garantir que o maior evento do futebol mundial não seja um desastre tecnológico. Belo Horizonte será a oitava cidade que receberá o seminário na quinta-feira (26).

Estudos mostram que daqui a quatro anos poderemos assistir aos jogos em tecnologia 4D. Além disso, a perspectiva é que o Brasil receba cerca de 2 milhões de turistas e que 2 bilhões de pessoas acompanhem as partidas por televisores e internet em todo o mundo. Por isso, as cidades precisam se estruturar para permitir que o espetáculo seja acompanhado da melhor maneira, afirma Costa.

– Se a estrutura tecnológica não funcionar, poderemos ter quedas de energia, de internet e de sistemas eletrônicos que podem ser dificilmente solucionados.

Ele afirmou que, apesar de o Brasil estar avançado tecnologicamente, ainda temos que evoluir para conseguirmos chegar bem em 2014. Os estudos realizados pelos organizadores mostraram que a falta de preocupação com esse ponto poderá se transformar em um grande entrave no futuro. Isso porque a construção e a reforma dos estádios, aeroportos, hotéis e vias devem ser realizadas juntamente com as soluções tecnológicas. Para Marcelo Costa, ainda há tempo para repararmos esse problema.

– O que precisamos fazer é parar de inventar novidades e pegar o que deu certo em outras Copas, buscar os conhecimentos, aprender com o que deu certo e aplicar no Brasil.

Para ele, a Copa da África, realizada neste ano, não pode ser considerada como um exemplo de excelência. Isso porque, segundo ele, todos os equipamentos foram alugados para garantir os serviços essenciais, de forma que jornalistas pudessem transmitir as informações sem problemas e que os serviços de internet e outros, realizados digitalmente, não fossem danificados. Mesmo assim, quedas de energia, como as que aconteceram no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, durante duas partidas do Brasil, dificultaram o trabalho da imprensa. O problema foi solucionado em dez minutos.

Em outro momento, segundo Marcelo Costa, houve também uma pane de energia elétrica na África do Sul, que causou um problema nas catracas de um estádio, sendo solucionada 40 minutos depois que a partida já havia começado.

A Alemanha, país-sede da Copa de 2006, e Coreia do Sul e Japão, que sediaram o evento em 2002, foram apontados como exemplos de excelência e que podem ser seguidos pelo Brasil. Além de se preocupar com a tecnologia nos estádios, outro problema que deve ser levado em consideração é como incluir o comércio e os hotéis na era digital.

– Durante a Copa, todo mundo estará procurando no celular e no iPhone, locais para visitar e conhecer. O comerciante precisa estar inserido nesse mundo tecnológico senão não vai conseguir vender.

Costa disse que Minas Gerais apresenta pontos positivos que podem fazer com que a capital saia na frente. O grande número de empresas de tecnologia deve ser um aliado no desenvolvimento digital para a Copa-2014. Para isso, é necessário uma integração entre governos e iniciativa privada.

– Acho que não haverá grandes problemas em relação à tecnologia, mas tudo deve ser feito de maneira integrada. Se conseguirmos realizar um evento de ponta, poderemos trazer para o país grandes empresas tecnológicas. Caso contrário, vamos ver empresas que estavam querendo trazer grandes fábricas pensando duas vezes antes disso.

Apesar de o Brasil já ter realizado um grande evento esportivo recentemente, o legado deixado não foi tão expressivo. Os jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro, apresentaram problemas tecnológicos, como equipamentos para imprimir bilhetes que não funcionaram. O problema pode não ter causado grandes complicações. Porém, a Copa do Mundo receberá mais visitantes e jornalistas. Diante disso, não é possível também levar o que foi feito como um bom exemplo.

Fonte: http://esportes.r7.com/futebol/noticias/cidades-sede-no-brasil-sem-tecnologia-para-a-copa-2014-20100825.html