A agência assegurou que o gigante da internet mantém uma ligação estreita com os serviços de inteligência dos Estados Unidos, aos quais, acusou, fornecem informações com os resultados das buscas.

A Xinhua também acusou o site de infiltrar-se na cultura local ao impor valores americanos. “Lamentavelmente, o recente comportamento do Google mostra que a companhia não só busca expandir seu negócio na China como joga um papel ativo em exportar cultura, valores e idéias”, diz o texto, segundo a BBC.

“É injusto que o Google imponha seus próprios valores e critérios sobre a regulação da China na internet, que tém sua própria tradição, valores e cultura”, acrescentou a agência oficial.

O ataque ocorreu a menos de 24 horas do dia em que o Google, segundo a imprensa chinesa, deverá anunciar o fim das operações na China (o site Google.cn em mandarim) a partir de 10 de abril após o fracasso das negociações com o governo local para a suspensão da censura nas buscas. Temas como o massacre da Praça da Paz Celestial, a luta pela libertação do Tibet e a seite Falun Gong são censurados nas buscas do Google e de serviços concorrentes, como o Bing, da Microsoft.

O Google é o segundo maior site de buscas da China. O líder é o Baidu, chinês, cujas ações já se valorizaram mais de 50% este ano por conta da possibilidade de assumir uma fatia do mercado do concorrente. A Microsoft já anunciou que mesmo que o Google deixe o país não seguirá o mesmo caminho. Em entrevista ao jornal The New York Times em janeiro, Bill Gates, ex-executivo-chefe da Microsoft e detentor da maioria das ações da companhia, relativizou a censura chinesa.

Analistas destacam que a saída da China provavelmente afetará a posição do Google no mercado de buscas, já que a o país tem o maior número de usuários de internet no mundo – 384 milhões.

Em janeiro, o Google e outras 31 empresas foram vítimas de ataques que supostamente tiveram origem na China. E-mails de ativistas foram invadidos, gerando uma crise entre a empresa e o governo de Pequim que acabou envolvendo o governo dos Estados Unidos, que tomou partido do Google. O governo americano também participou das investigações sobre a origem dos ataques. Desde então o Google anunciou que não aceitará mais a censura chinesa nas buscas, que ocorre desde o início das operações no país, em 2006.

Fonte: http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI4332250-EI4802,00-China+acusa+Google+de+ser+ferramenta+do+governo+dos+EUA.html