Se o casamento entre a Intel e a McAfee der certo, os apelos das empresas em trazer níveis de segurança sem precedentes aos departamentos de TI serão atendidos.

As duas empresas vêm há um ano e meio cooperando no desenvolvimento de um grupo de projetos com primeiros resultados previstos para serem apresentados até o início de 2011. Neste grupo, encontram-se projetos que preveem o incremento da tecnologia e da gestão de segurança com base em dispositivos de hardware já existente. Essa iniciativa é batizada de vPro.

Os executivos das duas companhias limitam suas declarações e dizem que podem surgir produtos, que integram soluções de hardware com tecnologias contra ameaças virtuais. Nesse caso, a variedade de clientes dessa tecnologia vai de caixas automáticos a carros.

“Essa perspectiva me assusta”, diz o diretor de pesquisas da Gartner, Peter Firstbrock. Ele teme que a aquisição interrompa os esforços da McAfee em unir as soluções de segurança ao sistema de gestão ePolicy Orchestrator. Outra preocupação de Firstbrock é referente à usabilidade das soluções para clientes com hardware heterogêneo, o que poderia excluí-los da relação de consumidores elegíveis em detrimento de uma plataforma “fechada”.

Mas Firstbrock reconhece que a vinda da McAfee vai trazer para a Intel a pesquisa que assentem a base sob a qual outros fornecedores de segurança possam ancorar seus desenvolvimentos.

Na perspectiva do analista de segurança Forrester, Andrew Jaquith, há um questionamento sobre essa união entre segurança e hardware. “A maioria das empresas procura reduzir a pluralidade da infraestrutura de hardware ao máximo para facilitar a gestão desse contingente”, diz o executivo.

“Em parte essa homogeneidade deve-se ao fato de o hardware permanecer, ao passo que o software é renovado com maior frequência. Também é mais fácil atualizar o software que trocar uma placa mãe. Não estou convencido de que a estratégia de atrelar software de segurança a hardware tenha grande aceitação por parte dos conumidores”, acresdita Jaquith.

O analista questiona a quantidade de PCs em empresas capacitados a rodar o vPro. “Não saber a resposta para essa questão confirma minhas suspeitas”.  Segundo Jaquith, apesar dos esforços da Intel em ampliar o incremento de software que cercará os processadores, essas melhorias deverão ser vistas como “bônus” e não como peça central na planilha de planejamento estratégico da companhia.

Jaquith diz não ver como um selo “McAfee Inside”, remeterá ao slogan da Intel para aumentar as vendas da gigante de processadores.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/computacao_corporativa/2010/08/23/aquisicao-da-mcafee-pela-intel-gera-desconfianca-de-analistas/