Isolado e caracterizado em 2004, o material é caracterizado como o futuro de várias tecnologias, mas ainda está engatinhando

O grafeno é uma das grandes promessas da indústria tecnológica. O material à base de carbono há anos é apontado como revolucionário, graças a uma combinação de características que incluem a leveza, flexibilidade, condutividade e resistência, capaz de dar propriedades quase mágicas a objetos de todos os tipos. Essa revolução teve início há 15 anos, quando, no ano de 2004, os pesquisadores Andre Geim e Konstantin Novoselov conseguiram redescobrir, isolar e caracterizar o material, que lhes renderia o prêmio Nobel de física de 2010.

De lá para cá, no entanto, o grafeno ainda não conseguiu alcançar seu potencial, sendo utilizado em algumas aplicações esporádicas. Isso não significa que o material não seja tão capaz quanto inicialmente se imaginava, mas sim que cumprir todas as suas promessas é algo que leva tempo.

Em artigo publicado na revista Nature Nanotechnology, o Graphene Flagship, projeto lançado em 2013 com investimento da Comissão Europeia que já tem 150 parceiros em 23 países, a perspectiva atual é de que o mundo deve começar a sentir os verdadeiros avanços proporcionados pelo grafeno a partir da próxima década, como aponta o site SciTech Europa.

No curto prazo, algumas aplicações mais próximas da realidade já podem ser verificadas no mercado de materiais. Já vemos roupas de grafeno, como, por exemplo, esta a jaqueta da Vollebak, que promete armazenar energia para esquentar o usuário de forma ativa, em vez de apenas impedir que o calor do corpo seja dissipado para o ambiente. O grafeno também poderia ser usado em nanossensores em embalagens de comida, que poderia analisar a qualidade do alimento, permitindo detectar agrotóxicos.

A questão da energia é uma das mais importantes para os pesquisadores de grafeno. Não à toa, recorrentemente o grafeno é apontado como o futuro das baterias, que hoje são o grande gargalo da tecnologia móvel, como substitutos da tecnologia de íon-lítio. Os componentes de grafeno seriam recarregados muito mais rápido do que os convencionais e armazenariam mais energia. Especula-se que a Samsung já esteja trabalhando em um smartphone com bateria de grafeno, e que ele poderia chegar ao mercado em algum momento entre 2020 e 2021; a iniciativa da coreana surgiu após o desastre do Galaxy Note 7, que entrava em combustão devido às características do íon-lítio.

O Graphene Flagship aponta que é no médio prazo, no entanto, que os impactos mais profundos do grafeno poderão ser sentidos. O material deve ser chave para o setor energético; em 2020, será instalado uma central fotovoltaica para geração de energia solar utilizando o grafeno, que pretende servir como demonstração a eficiência do material nesse quesito, contribuindo para a questão da sustentabilidade, que é uma bandeira assumida pela União Europeia nos últimos anos.

Em um futuro um pouco mais distante, daqui a uns 10 ou 15 anos, a organização espera que os saltos sejam ainda mais drásticos e sentidos no que tange à optoeletrônica, proporcionando ganhos de desempenho em magnitudes muito maiores do que vemos atualmente.

fonte: https://olhardigital.com.br/noticia/apos-15-anos-grafeno-comeca-a-cumprir-as-promessas-quase-magicas/91252