O Google Inc. vendeu US$ 3 bilhões em debêntures — em sua primeira emissão do tipo — e se juntou a várias outras empresas de tecnologia que decidiram tirar proveito dos baixos juros para captar recursos mesmo já tendo o caixa recheado.

Foi boa a demanda ontem pelos títulos da empresa de internet, mesmo com o rendimento pouco maior que o dos títulos do Tesouro americano. Houve demanda para mais de US$ 10 bilhões e o Google poderia ter dobrado facilmente a emissão, segundo uma pessoa a par da questão.

A emissão do gigante da internet foi realizada apesar de ele ter divulgado em março ter quase US$ 37 bilhões em caixa. A empresa não deu nenhuma indicação de que pretende usar os recursos para uma grande aquisição ou para recomprar ações, algo que nunca fez.

“Planejamos usar os recursos para quitar commercials papers a vencer e para propósitos empresariais gerais”, disse um porta-voz do Google. A empresa tem cerca de US$ 2 bilhões em commercial papers, ou notas promissórias, no mercado.

O Google está se juntando a uma série de outras empresas de tecnologia que já tomaram dinheiro emprestado este ano, apesar de contarem com reservas consideráveis. A Microsoft Corp., que tinha mais de US$ 50 bilhões em caixa no fim do primeiro trimestre, também emitiu US$ 2,25 bilhões em fevereiro. A empresa mostrou semana passada uma das maneiras pelas quais pretende gastar um pouco do caixa: anunciou um acordo de US$ 8,5 bilhões em dinheiro para comprar a empresa de telecomunicação pela internet Skype, embora não tenha usado recursos da emissão de títulos.

Antes da emissão do Google, quase US$ 17 bilhões em dívida tinham sido emitidos em 17 operações do setor de tecnologia este ano, segundo a Thomson Reuters. A Cisco Systems Inc., a Dell Inc. e a International Business Machines Corp. foram algumas das empresas que emitiram debêntures este ano, em operações que variaram de US$ 1 bilhão a US$ 4 bilhões.

As empresas de tecnologia estão aparentemente aproveitando o mercado de renda fixa agora, mesmo com suas reservas polpudas, porque os juros nos Estados Unidos estão tão baixos e elas estão seguindo o velho ditado de que é bom tomar emprestado quando é possível, não quando é preciso, dizem analistas.

As emissões propiciam a essas empresas mais uma ferramenta, e também mais flexibilidade nos gastos. Bill Larkin, administrador de carteira da Cabot Money Management, de Boston, disse que, diante do custo da oferta das debêntures, o Google está na prática recebendo “dinheiro de graça”.

Algumas empresas de tecnologia têm emitido papéis nos Estados Unidos para evitar ter de recorrer ao caixa das subsidiárias no exterior e pagar impostos sobre esse dinheiro. Mas no caso do Google mais de metade do caixa e aplicações de curtíssimo prazo está nos EUA.

O Google tem especificamente gastado mais para contratar funcionários, abrir novos escritórios e impulsionar novas linhas de negócios. As despesas operacionais do Google — que financiam salários, equipamentos, marketing e pesquisas — subiram 54% em relação a um ano antes e representam um terço do sua receita trimestral, a maior proporção em anos. Diante da alta recente no valor de mercado das empresas de tecnologia, o dinheiro extra do Google pode ser útil para aquisições. No fim do ano passado, o Google estava pronto para pagar mais de US$ 5 bilhões para comprar o site de descontos Groupon Inc., disseram pessoas a par da questão.

A emissão de US$ 3 bilhões inclui papéis com vencimentos em três, cinco e dez anos. Realizaram a operação o Citigroup Inc., o J.P. Morgan Chase Co. e o Goldman Sachs Group Inc.

Que o Google, que já tem quase 13 anos e só tenha começado a emitir títulos agora é um sinal de como a empresa está amadurecendo. As jovens firmas de tecnologia, em rápido crescimento, geralmente captam recursos em ofertas de ações até ganhar tamanho suficiente e começar a tomar empréstimo no mercado de dívida. O crescimento do faturamento do Google desacelerou nos últimos anos, com alta de 27% no primeiro trimestre, ante cerca de 40% no primeiro semestre de 2008.

Fonte: http://www.zwelangola.com/economia/index-lr.php?id=5902