O conselho diretor da HP está sendo processado pelos acionistas da empresa por descumprimento de deveres fiduciários e má conduta administrativa, depois da repentina saída do CEO Mark Hurd na semana passada, motivada por um escândalo sexual.

Conhecida como processo derivativo de acionistas, a ação foi aberta por um escritório de advocacia sediado no estado norte-americano de Connecticut, a pedido do Brockton Contributory Retirement System, organização do estado federado de Massachusetts mantenedora de investimentos em papéis da HP. No processo, a entidade cita todos os dez membros do conselho diretor da HP e a CFO, Cathie Lesjak, além do ex-CEO, Mark Hurd.

A empresa é acusada de desrespeitar as diretrizes de governança corporativa, ao deixar que Hurd administrasse a HP como se fosse “um feudo próprio”. A crítica se estende à decisão de Hurd em contratar uma ex-estrela de reality show, sem qualquer experiência na indústria tecnológica, para prestar assistência a clientes durante eventos de marketing.

“O resultado da má administração por parte de Hurd, de Lesjak e do comitê gestor levou a HP à perda de credibilidade. Em consequência, o mercado puniu a empresa e os acionistas  com queda das ações, fazendo o capital da HP se desvalorizar em 9 bilhões de dólares”, diz a denúncia registrada no Tribunal Superior do Estado da Califórnia pela empresa de advocacia Scott+Scott LLP. A HP ainda não se pronunciou sobre a questão.

O processo é mais um capítulo do escândalo sexual da HP. Hurd foi acusado de assediar sexualmente uma funcionária contratada para auxiliar o departamento de marketing. Dias depois, a funcionária foi identificada como a ex-atriz Jodie Fisher .

Na visão do conselho diretor, Hurd não desacatou as diretrizes de assédio sexual estabelecidas pela empresa. Mas foram evidenciados pagamentos de Hurd para Jodie Fisher por serviços jamais contratados pela organização. Hurd teria apresentado notas falsas de despesas para ser ressarcido por tais pagamentos. Por ocasião disso, o conselho pediu à Hurd que renunciasse.

Os acontecimentos desencadearam um debate sobre a natureza da decisão do conselho administrativo da HP. As opiniões se dividem. Na perspectiva de alguns, o conselho agiu de maneira firme e coerente, respeitando as normas éticas. Outros acreditam que a decisão da diretoria pode estar fundamentada na tentativa de blindar a empresa contra opinião pública negativa que poderia prejudicar a companhia no mercado.

Ações penais do tipo derivativo por parte de acionistas têm ocorrido com frequência razoável nos EUA. Várias vezes, essas ações são movidas por acionistas externos e são fundamentadas na má administração da companhia por parte dos gestores. Além de má conduta administrativa e falha nas atribuições fiduciárias, o desperdício de ativos corporativos e violações do código corporativo vigente na Califórnia, apropriação indevida de informações e enriquecimento ilícito completam a lista de denúncias contra a HP.

Fonte: http://computerworld.uol.com.br/negocios/2010/08/13/acionistas-processam-hp-por-ma-conduta-administrativa/