“Há dois anos podia achar que venderíamos a área de hardware. Hoje, não.”

Nos últimos anos, a IBM se empenhou em ser reconhecida pelo Watson (plataforma de serviços cognitivos) e pela computação na nuvem. Mas, para o vice-presidente de hardware da América Latina, Pierre Marchand, esse esforço não ocorre em detrimento de sua área. Pelo contrário, segundo ele, a IBM hoje segue uma estratégia em que o hardware será a fundação do mundo cognitivo em nuvem híbrida.

“Nosso objetivo é sermos líderes em soluções cognitivas em um mundo em que a infraestrutura para que essas soluções funcionem esteja pronto”, explicou durante em entrevista na sede da IBM em Nova Iorque (EUA). “Uma unidade da IBM que não desenvolva seus produtos para soluções cognitivas em um mundo de nuvem híbrida, vai desaparecer”, completou Pierre.

Em 2014, a IBM vendeu sua divisão global de servidores x86 e decidiu liderar no mundo tecnológico empresarial. Em 2010, elegeu o programa Jeopardy para se posicionar na mente das pessoas como uma empresa de Inteligência Artificial. Assim, ela construiu sua nova estratégia baseada em três pilares: solução cognitiva, nuvem híbrida e conhecimento de indústria.

“Desenvolvemos uma plataforma de hardware para que, quando um cliente eleja o Watson para sua empresa, se dê conta de que a infraestrutura também deve ser IBM”, disse. “Hoje damos o mesmo peso para o hardware que damos ao software. E não poderia ser diferente. Se queremos liderar no mundo da nuvem, a infra é extremamente importante.”

Open Source aí vou eu

Com a estratégia de desenvolver produtos para um novo mundo, a IBM passou a ser um dos principais investidores do Linux e está oferecendo o sistema operacional em seus sevridores Power. A empresa percebeu que o open source é o que vai assegurar inovações para seu futuro.

Sendo assim, em 2013, a Big Blue fundou a Open Power Foundation, ao lado de Google Nvidia e Mellanox, e abriu sua propriedade intelectual da tecnologia Power – desde o chip aos servidores – a todos os participantes da fundação. Um passo sem volta e que, segundo Pierre, traz infinitas possibilidades.

“A IBM percebeu que a capacidade de desenvolver nesse mundo é limitada se fizermos sozinhos e infinita se fizermos acompanhados. O mundo de hoje é colaborativo, diferente do mundo de ontem. Não criamos mais sozinhos, mas juntos. Isso agiliza o processo de inovação e gera um plus”, finalizou Marchand.

A fundação Open Power possui mais de 300 membros e é tocada por um ex-Googler. Lá, empresas e universidades participantes podem criar de tudo – de hardware a software. Algumas boas inovações dentro do Power foram desenvolvidas nesse cenário colaborativo. Há dois anos, por exemplo, a IBM junto da NVidia – que criu processadores especiais para os servidores da Big Blue -, foram convidados a montar um supercomputador do ministério de energia dos Estados Unidos.

 

Fonte: https://canaltech.com.br/infra/a-estrategia-da-ibm-no-mundo-hardware-122780/