O fundador e atual CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, admite que a empresa cometeu erros e diz que tem “certeza” de que não assinou um contrato dando a um ex-webdesigner a propriedade da sua empresa.

Em entrevista ao programa “ABC World News com Diane Sawyer”, da rede ABC, na última quarta-feira (22/7), Zuckerberg falou sobre o que é estar no comando de uma empresa em expansão, cometendo erros e enfrentando problemas de administrar uma rede social muito popular. A reportagem foi ao ar no mesmo dia em que o Facebook atingiu meio bilhão de usuários.

“Eu criei o Facebook quando tinha 19 anos. E não sei muito sobre negócios”, disse ele, quando Sawyer lhe perguntou o que teria feito de forma diferente ao longo da estrada que fez do Facebook uma potência mundial das redes sociais.

“Eu teria feito um monte de coisas de forma diferente, mas acho que, em vez de cometer os erros que cometi, teria feito outras besteiras”, disse ele.

Zuckerberg declarou ainda que o Facebook abrirá seu capital na bolsa “quando fizer sentido”.

Ele declarou também que a sua rede social obtém oito novos usuários a cada segundo e que cada um deles tem, geralmente, cerca de 130 amigos conectados.

O norte-americano disse que vê o Facebook como uma mídia muito democrática, dando às pessoas “voz e poder”. Mas ele também reconheceu que muitos usuários têm ficado irritados frustrados sobre as políticas de privacidade do site.

“Sim, nós certamente cometemos alguns erros”, disse ele a Sawyer. E quando ela perguntou porque os usuários não poderiam simplesmente definir as configurações individuais de forma automática para tornar sua informação em algo privado, ele respondeu: “Acho que esses recursos são fixados de forma a ajudar as pessoas a compartilhar”.

Em maio último, o Facebook simplificou seus controles de privacidade, depois que muitos usuários se queixaram de que as configurações eram confusas e frustrantes. Zuckerberg disse que na época, mal tinha se comunicado com os internautas sobre as preocupações sobre privacidade.

A apresentadora da ABC ainda perguntou a Zuckerberg a respeito da ação jurídica que levanta questões sobre quem é realmente o dono do Facebook.  Paul D. Ceglia, de Wellsville, em Nova York, alega que ele assinou um contrato com Zuckerberg, em 2003, que lhe dá direito a 84% de propriedade da empresa.

De acordo com documentos judiciais, Ceglia alega que ele tinha um contrato assinado com Zuckerberg para projetar e construir um site que, eventualmente, se transformou no que é hoje o Facebook. Ele também alega que pagou mil dólares pelo trabalho, além de uma participação de 50% no site, junto com um 1% extra por cada dia até que a página ser concluída.

O Facebook tem classificado o processo de “frívolo”.

No entanto, na entrevista de ontem à noite, Zuckerberg disse que não tem “absoluta certeza” de que assinou qualquer contrato e evitou refutar a afirmação. “O que temos certeza é de que não assinamos um contrato que diz que ele[Ceglia] tem o direito de propriedade sobre o Facebook”, disse ele.

No início desta semana, um advogado do Facebook foi amplamente citado em relatórios online, dizendo que estava “inseguro” sobre o fato de que Zuckerberg havia ou não assinado um contrato. No entanto, em um e-mail enviado a Computerworld, também na última quarta-feira (22/7), um porta-voz da rede social, Andrew Noyes, declarou que Lisa Simpson, a advogada em questão, foi citada erroneamente e que só queria dizer que nunca havia visto o documento original.

“Nós temos sérias dúvidas sobre a autenticidade do documento e, supondo que um original dele exista, estamos ansiosos para expressar nossa opinião sobre ele”, acrescentou Noyes.

Na entrevista com Zuckerberg ontem à noite, Sawyer também perguntou sobre o filme que conta a evolução do Facebook e que estréia nos EUA em outubro deste ano. O longa não pinta Zuckerberg na melhor das luzes, incidindo sobre as questões de quem realmente esteve envolvido na criação da rede social.

Zuckerberg disse que não iria ver o filme.

“Quero dizer, não podemos dar atenção às pessoas que tentam dizer coisas que não são verdadeiras. Eu realmente acredito que as pessoas se lembrarão de mim por aquilo que construí”, disse ele na entrevista.
“…logo, as pessoas não se preocupam com o que alguém diz sobre você em um filme – ou ou mesmo o que você diz, certo? Elas se preocupam com o que você constrói. E se você puder fazer algo que torna a vida das pessoas melhor, então isso é algo realmente bom”, declarou.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/07/22/201ceu-criei-o-facebook-quando-tinha-19-anos-e-nao-sei-muito-sobre-negocios201d-disse-zuckerberg/